O Protocolo Profibus (Parte III)

Redes Industriais
As fibras óticas podem ser utilizadas em
aplicações onde existe alto índice de interferência eletromagnética ou
com o objetivo de se aumentar o comprimento máximo do barramento,
independente da velocidade de transmissão. É um meio físico comumente
utilizado em aplicações onde se utiliza tanto a tecnologia DP quanto
Profinet.

Figura 1 – Fibra Ótica
Um sistema de transmissão com fibra
ótica consiste em três elementos: um dispositivo que gera a luz, um
dispositivo que detecta esta luz e um meio de transmissão por onde a luz
irá trafegar. No momento da transmissão dos dados, um pulso de luz
indica bit 1 e a ausência de luz, indica bit 0 (zero).
Este meio de transmissão pode trabalhar
com uma velocidade de até 50 Tbps, porém, para uso em redes industrias,
esta velocidade é limitada em 1 Gbps, devido ao fato de não ser possível
converter sinais elétricos e óticos em uma velocidade maior [1].
Existem dois tipos de fibra ótica:
- Multimodo;
- Monomodo.
Veja abaixo a descrição de cada uma delas:
Multimodo
As fibras multimodo são utilizadas para
cobrir distâncias médias, que variam entre 2 e 3 Km. O fator que limita a
distância na utilização dessas fibras é a dispersão modal*. Elas
possuem núcleos maiores, de aproximadamente 62,5 micrômetro de diâmetro
e, transmitem luz infravermelha a partir de diodos emissores de luz (600
a 850 nanômetros). O comprimento de onda do infravermelho é de 850 a
1300 nanômetros.
De acordo com [4] as fibras multimodo
são mais baratas e o núcleo mais espesso demanda uma precisão menor nas
conexões, o que torna a instalação mais simples, mas, em compensação, a
atenuação do sinal luminoso é muito maior. Isso acontece porque o
pequeno diâmetro do núcleo das fibras monomodo faz com que a luz se
concentre em um único feixe, que percorre todo o cabo com um número
relativamente pequeno de reflexões. O núcleo mais espesso das fibras
multimodo, por sua vez, favorece a divisão do sinal em vários feixes
separados, que ricocheteiam dentro do cabo em pontos diferentes,
aumentando brutalmente a perda durante a transmissão.
Veja Figura 2:

Figura 2 – Exemplo de fibra multimodo
As principais aplicações das fibras
multimodo são as redes internas de computadores (LANs) e demais
aplicações de curta distância como as redes corporativas e Data Centers [4].
Essas fibras podem ser divididas em dois modelos: Step Index e Graded Index.
De acordo com [3] as fibras do tipo Step Index possuem o índice de refração do núcleo constante. A energia de um impulso luminoso vai distribuir-se por todos os modos.
Ver Figura 3:
Já no Graded Index o índice de
refração do núcleo tem uma variação parabólica. Esta característica tem o
efeito de aproximar os tempos de propagação dos vários modos, reduzindo
a dispersão modal. A largura de banda utilizável é superior à da fibra Step Index.
Ver Figura 4:

Figura 4 – Modo de refração no Graded Index
Vantagens de se utilizar fibras multimodo:
- Devido ao tamanho grande do núcleo fica mais fácil o alinhamento, no caso de emendas, conectores etc;
- Baixo custo.
Desvantagens de se utilizar fibras multimodo:
- Cobre distâncias menores e limitadas;
- Taxas de transmissão mais baixas.
Monomodo
As fibras monomodo são utilizadas para
cobrirem distâncias longas, acima de 15 Km. De acordo com [5], as fibras
de modo simples têm núcleos pequenos, de aproximadamente 9 micrómetros
de diâmetro e, transmitem luz laser infravermelha (comprimento de onda
de 1300 a 1550 nanómetros). Neste tipo de fibras o diâmetro do núcleo é
tão pequeno que não há mais do que um modo de propagação. Logo, não
existe dispersão modal. A largura de banda utilizável é maior do que em
qualquer dos tipos de fibra multimodo. Veja Figura 5 e 6, para exemplos
de fibra monomodo e modo de refração da fibra monomodo, respectivemente.

Figura 5 – Exemplo de fibra monomodo

Figura 6 – Modo de refração da fibra monomodo
A aplicação das fibras monomodo vão
desde sistemas de ultra-longa distância (~1000 km), como os sistemas
submarinos e terrestres, assim como os sistemas de telefonia regionais,
acesso e serviços de TV a cabo (~100 km) [4].
De acordo com [4] as fibras monomodos
podem ser divididas em três grupos: fibras monomodo convencionais ITU-T
G.652 (Standard Monomode Fiber – SMF), fibras de dispersão deslocada
ITU-T G.653 (Dispersion Shifted Fiber – DSF) e fibras de dispersão
deslocada não-nula ITU-T G.655 (Non Zero Dispersion Shifted Fiber –
NZDF).
Veja abaixo uma breve descrição de cada uma delas [4]:
- As fibras ITU-T G.652 foram as primeiras a serem construídas. Esses tipos de fibras foram otimizadas para operarem na janela de 1310 nm. Para sinais nesse comprimento de onda, as fibras convencionais apresentam dispersão nula e baixa atenuação. Praticamente todos os sistemas de comunicações do início da década de 1980 possuíam fontes que operavam nesse comprimento de onda. Esse tipo de fibra vem sendo fabricado desde o início dos anos 80 e é o tipo de fibra monomodo mais instalada no mundo inteiro. Apesar de estar otimizada para operação em 1310 nm, essa fibra também permite a operação na janela de 1550 nm, quando a dispersão não é um fator limitante para o sistema.
- No meio da década de 80, surgiram os primeiros amplificadores, a fibra dopada com érbium (AFDEs). Esses amplificadores são capazes de amplificar sinais em torno de 1550 nm, coincidentemente a mesma região espectral onde as fibras apresentam a menor atenuação possível. Por essa razão, foi interessante migrar a região de operação dos sistemas de 1310 nm para a região de 1550 nm, onde os amplificadores poderiam ser utilizados e como conseqüência os sistemas poderiam cobrir distâncias muito maiores. Por esse motivo, foram desenvolvidas as fibras ITU-T G.653. Essas fibras possuem dispersão nula na região de 1550 nm, i.e., um sinal com comprimento de onda em 1550 nm propagando nessa fibra não sofrerá os efeitos da dispersão. Somando o efeito nulo da dispersão, com o mínimo de atenuação e o uso dos AFDEs, os sistemas baseados em fibras de dispersão deslocada puderam cobrir distâncias nunca antes imaginadas.
- As fibras NZDs podem ser encontradas comercialmente apresentando tanto dispersão positiva ou negativa na região de 1550 nm e são uma evolução das fibras DS. Essas fibras apresentam uma pequena dispersão suficiente para evitar os efeitos não lineares, mas ainda pequena o suficiente para não causar penalidades no sistema pelo alargamento dos pulsos.
Vantagens de se utilizar fibras monomodo:
- Distâncias maiores e ilimitadas;
- Taxas de transmissão muito altas.
Desvantagens de se utilizar fibras monomodo:
- Torna difícil o alinhamento devido ao núcleo ser muito pequeno;
- Alto custo.
Nota:
*Dispersão modal: são atrasos do sinal na fibra multimodo causado pelos diferentes modos de propagação que a luz pode ter no núcleo.
E isso aí pessoal. Neste post se encerra
a parte onde falei sobre os meios físicos utilizados no Profibus DP. No
próximo post vou falar um pouco mais sobre a Camada de Enlace e os
telegramas de mensagens.
Até mais!
Referencias Bibliográficas:
[1] ALBUQUERQUE, P. U. B., ALEXANDRIA,
A. R. (2009). Redes Industriais – Aplicações em Sistemas Digitais de
Controle Distribuído. Ensino Profissional Editora.
[2] http://www.teleco.com.br/tutoriais/tutorialfoIII/pagina_4.asp
[3] http://www.melhorseguranca.info/2009/02/fibra-optica-multimodo-vs-monomodo.html
[4] http://www.telcon.com.br/Telcon/Web/Perguntas/Default.aspx?idper=S10110509132753
[5] http://www.melhorseguranca.info/2009/02/fibra-optica-multimodo-vs-monomodo.html
[6] http://www.dsif.fee.unicamp.br%2F~rudge%2Fpdf%2FDispers_Complet_f201r.pdf&ei=P23sT6_UMJSQ8wTbxK3hBQ&usg=AFQjCNFOdn_8eek38TEOmRotC9T6L0_7og&cad=rja
[2] http://www.teleco.com.br/tutoriais/tutorialfoIII/pagina_4.asp
[3] http://www.melhorseguranca.info/2009/02/fibra-optica-multimodo-vs-monomodo.html
[4] http://www.telcon.com.br/Telcon/Web/Perguntas/Default.aspx?idper=S10110509132753
[5] http://www.melhorseguranca.info/2009/02/fibra-optica-multimodo-vs-monomodo.html
[6] http://www.dsif.fee.unicamp.br%2F~rudge%2Fpdf%2FDispers_Complet_f201r.pdf&ei=P23sT6_UMJSQ8wTbxK3hBQ&usg=AFQjCNFOdn_8eek38TEOmRotC9T6L0_7og&cad=rja

Este artigo foi retirado do blog Automação Industrial sem autorização e sem citar o autor original da obra. Portanto, solicitamos que remova este e os demais conteúdos deste blog.
ResponderExcluirRealmente, este artigo é de minha autoria e foi publicado no blog Automação Industrial. O responsável pelo blog CLP Fácil, não entrou em contato conosco solicitando autorização para divulgação deste conteúdo. Por favor, remova.
ResponderExcluir